Leão XIV: guardar o tesouro da comunhão na Igreja, fonte fecunda de paz para todos

Foto Oficial do Papa Leão XIV. Créditos: Vatican Media

Leão XIV: guardar o tesouro da comunhão na Igreja, fonte fecunda de paz para todos

Em mensagem em vídeo para Simpósio na Urbaniana sobre a Igreja na China, o Papa ressalta que cem anos atrás, a viagem de seis homens, que partiram da China rumo a Roma para se tornarem bispos da Igreja católica, despertou alegria e orgulho em muitos de seus compatriotas. “Hoje, em um mundo dilacerado por conflitos e assolado por guerras, a Esposa de Cristo continua a mesma missão, rezando para que, diante de todas as ameaças, o Senhor guarde o tesouro da comunhão eclesial”, fonte fecunda de paz.

É comovente pensar em nossos seis futuros bispos, que vieram de Xangai até Roma para receber a ordenação episcopal junto ao túmulo do apóstolo Pedro. Eles atravessaram o mundo para testemunhar a comunhão que floresce da fé dos apóstolos, cujo sinal indispensável é a unidade de cada bispo com o bispo de Roma: são palavras do Santo Padre na mensagem em vídeo por ocasião dos 100 anos dos primeiros bispos chineses, enviada esta quinta-feira, 5 de novembro, aos participantes do Simpósio Internacional organizado pelo Dicastério para a Evangelização, em colaboração com a Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma.

A Igreja é comunhão na diversidade

Ao expressar sua alegria em poder dirigir-se a todos os participantes do Simpósio na Urbaniana intitulado “O rosto universal da Igreja na China”, o Papa ressalta ser este dedicado à história dos primeiros bispos católicos chineses consagrados na era contemporânea, que receberam a ordenação episcopal na Basílica de São Pedro, pelas mãos do Papa Pio XI, há cem anos, em 28 de outubro de 1926. “A consagração deles representou um evento de grande importância, não apenas para a trajetória da Igreja católica na China, mas para a Igreja universal, como sugere o título do seu congresso”, acrescenta o Pontífice.

Em sua mensagem, Leão XIV evidencia que em 1924, no Concílio de Xangai – o primeiro Concílio geral da Igreja na China –, surgiu com urgência a necessidade de confiar, em breve, a liderança das comunidades e circunscrições eclesiásticas a padres e bispos chineses autóctones. “Os próprios bispos missionários – afirma -, todos provenientes de outros países, foram os promotores dessa solicitação, sob a orientação visionária do Delegado apostólico, o Arcebispo Celso Costantini. Era conveniente iniciar e promover esse processo, para permanecer fiéis à própria natureza da Igreja, cuja unidade não é uniformidade, mas comunhão na diversidade”.

A fé compartilhada abraça as diferenças

No Povo de Deus, prossegue o Santo Padre, a fé compartilhada abraça as diferenças, fazendo suas, sempre que possível, as características dos indivíduos e dos povos, com uma visão ampla, que reflete a maneira de agir de Deus, o qual chama cada um com suas próprias peculiaridades. Assim, a Igreja vive no meio dos povos com amizade e simpatia por suas expectativas e boas aspirações. Já os Padres da Igreja testemunhavam isso, constatando com alegria que a fé em Jesus e a ação do Espírito Santo tornam irmãos e irmãs pessoas pertencentes a culturas, línguas, civilizações e nações diferentes e, às vezes, distantes.

A esse respeito, recentemente, ao referir-me ao grande bispo missionário São Toríbio de Mogrovejo – afirma o Papa -, tive a oportunidade de destacar que nenhum pastor na Igreja pode atribuir a si mesmo a missão, mas a recebe e a exerce em comunhão, unido ao Sucessor de Pedro e a todos os outros Sucessores dos Apóstolos: os bispos espalhados pelo mundo.

Olhar para o passado pode iluminar o presente

Antes de concluir, Leão XIV lembra que, como frequentemente acontece na longa história da Igreja, olhar para o passado pode iluminar o presente. “Cem anos atrás, a viagem de seis homens, que partiram da China rumo a Roma para se tornarem bispos da Igreja Católica, despertou alegria e orgulho em muitos de seus compatriotas, deixando para trás a desconfiança, as suspeitas e a hostilidade. Hoje, em um mundo dilacerado por conflitos e assolado por guerras, a Esposa de Cristo continua a mesma missão, rezando para que, diante de todas as ameaças, o Senhor guarde o tesouro da comunhão eclesial, fonte fecunda de bondade e de paz para todos”.

Por fim, o Santo Padre deseja bom trabalho aos participantes do Simpósio e, de todo o coração, os abençoa.

Fonte: Vatican News

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